Nada mais é.
De mim, esta deconstrução que urge, mas que é ela própria uma obra despedaçada.
Quando a mente recorre apressada a passados e ligeiras, súbitas recordações que foram, como que justificando a acção seguinte apenas pelo facto de ter existido outra anterior, sei que se impõe um freio no cavalo da necessidade de me sentir seguro. Quando todo o nexo é o frémito e um conjunto disperso de pontadas de sensação por todo o longo da memória, é a altura de fazer prevalecer não o sono atabalhoado e portanto insónico, mas o sono leve e controlado como uma brisa que progressivamente retarda as cataratas de sangue veia abaixo, náusea acima; faz erodir-se o excesso de inutilidade composta, amontoada.
Depois, debastando um a um os elos, atravessam-se-me outras recordações mais profundas e íntimas, isto é, sem que correspondam a nada em especial, pura imagem de um espaço em que o estado de alma são as coordenadas, puro lado de lá do espelho, lado de lá da metáfora abstracta. São os primeiros sinais, conquanto ainda órgãos do antigo (mas que sou, microscópicamente, enquanto humano, senão um último conjunto de analogias ínfimas e indestrinçáveis em cordas bambas de reutilização?), de um fluxo de identidade mais calmo, um sangue mais regato.
Há sítios inclusive, conquanto simples de físicos, em que se ultrapassa com facilidade o factor representação e se admira a reciprocidade latente entre a descoberta-leitura e a lembrança a descoberto, tanto mais quão mais evocativo estiver o meu olho-intérprete.
É no póstumo dessas mesmas revelações que se revela, açambarcada de pouco, a sua afinal estrutura pontual e facilmente contável, pouco mais que um pouco de quantidade. E sobressaio, afinal, uma mera contagem de hábitos recorrentes, relacionados mais com o acaso que com a minha escolha, e de que tão pouco sobressai, figuras de um presépio sem Natal nem religião, uma cerâmica pintada de negro, o negro do ínfimo existencial que é a qualquer escala.
Capture-se porém, em mais uma fotografia de pouca dura, enquanto cores acinzentadas de efémero, o flash de espírito que as recuperações reflectem na montanha do caos em que o vale único é os olhos fechados.
Apesar de toda a minha raiva, ainda sou só uma ratazana na caixa.
Depois, alguém irá dizer - o que está perdido nunca pode ser salvo.
artigos de excursões sem fim nem princípio, no algo enevoado horizonte do Não, o desprezo do típico como inegável paixão..
Mais distensões de mim:
Outros que tais:
um Abade às Fatias
, the bittersweet cherry flavour
, sobreposições no cenário-Hugo
not your average Lady , Scriptum Tremens , um ser buscando ser , Roman Veli
not your average Lady , Scriptum Tremens , um ser buscando ser , Roman Veli
sexta-feira, março 31, 2006
domingo, março 26, 2006
sábado, março 25, 2006
A mola
Na efemeridade da tentativa
que o deixa de ser,
a minha alma é a lasciva
mola do descrer.
Um absurdo momento sem côr
toma conta de mim.
Projecto todo o meu rancor
contra este fim.
Silencioso, o seu estrondo
preenche-me de vazio.
O tal efémero que não sondo
recolho, após o pavio.
Fragmentado, na eterna gaiola
a vida é a única sorte.
Esta mola não é bem uma mola;
é uma espécie de morte.
Na efemeridade da tentativa
que o deixa de ser,
a minha alma é a lasciva
mola do descrer.
Um absurdo momento sem côr
toma conta de mim.
Projecto todo o meu rancor
contra este fim.
Silencioso, o seu estrondo
preenche-me de vazio.
O tal efémero que não sondo
recolho, após o pavio.
Fragmentado, na eterna gaiola
a vida é a única sorte.
Esta mola não é bem uma mola;
é uma espécie de morte.
segunda-feira, março 20, 2006
Mas vou acreditando, às réstias, sem pensar nisso. Seja num eu mais compensado na alma, mais imperturbável no verbo, menos traído e menos traidor no estar. Seja num tu que não sei quem é, de braços abertos e ouvidos metafísicos e amorosos de compreensão. Seja em dias mais plenos de algo, de expressão, de feedback, de autenticidade no bom, e mais plenos de liberdade, sentida e consumanda.
Sei que tudo isso existe, sob alguma forma. O fundo de um poço fundo, voltei a deixá-lo há algumas milhas. E as suas piores vertigens são principalmente memórias, vazias dada a sua precisão. Agora, alterna-se escaladas sem aspereza com algum escorregadio (vestígios inseguros de humidade nas paredes do poço), nem sempre do mais ligeiro.
Deste panorama por conotar, inspira-me a sua existência para a vaga arte que é o dia. Ainda que se arredonde nula, existe, e eu com ela. Não sou uma minha criação, nem uma minha estrutura, mas existo. E vou existindo, e o principal vai sendo não me afastar do principal, não me deixar repartir, não me procurar contentar com fracções e mímicas suficientemente passivas e descomprometedoras de mim, por abominar cenários subconscientes e perigosos de crítica e menosprezo, de implícita hostilidade; não me subverter a qualquer hábito ou falso objectivo, diário ou momentâneo, demasiadamente imposto, que me vede a liberdade em geral, que permanentemente me tolde a clareza de sentimento, o nascimento de escolhas verdadeiras.
Mas chega de blá blá. Transcenda-se o papel-ecrã, em pretensão de hipóteses. Cumpra-se aquele que de algures, onde mora, vai vivendo.
(E que fique para outro dia, após o contra-relógio, a constatação final de não ter conseguido.)
Sei que tudo isso existe, sob alguma forma. O fundo de um poço fundo, voltei a deixá-lo há algumas milhas. E as suas piores vertigens são principalmente memórias, vazias dada a sua precisão. Agora, alterna-se escaladas sem aspereza com algum escorregadio (vestígios inseguros de humidade nas paredes do poço), nem sempre do mais ligeiro.
Deste panorama por conotar, inspira-me a sua existência para a vaga arte que é o dia. Ainda que se arredonde nula, existe, e eu com ela. Não sou uma minha criação, nem uma minha estrutura, mas existo. E vou existindo, e o principal vai sendo não me afastar do principal, não me deixar repartir, não me procurar contentar com fracções e mímicas suficientemente passivas e descomprometedoras de mim, por abominar cenários subconscientes e perigosos de crítica e menosprezo, de implícita hostilidade; não me subverter a qualquer hábito ou falso objectivo, diário ou momentâneo, demasiadamente imposto, que me vede a liberdade em geral, que permanentemente me tolde a clareza de sentimento, o nascimento de escolhas verdadeiras.
Mas chega de blá blá. Transcenda-se o papel-ecrã, em pretensão de hipóteses. Cumpra-se aquele que de algures, onde mora, vai vivendo.
(E que fique para outro dia, após o contra-relógio, a constatação final de não ter conseguido.)
domingo, março 19, 2006
Em palavras pequenas, reflecte-se melhor, não a verdade em si, mas pelo menos a leviandade com que se aborda o universo, a insignificância do que está escrito.
Ah, raça humana! Ah, homem!
Tão grande de variações absolutas no ao longo de. Tão mínimo de autonomia no afinal de contas. Tão mínimo de ti...
Mas o que é que eu quero?
Sei lá, quero lá saber...
Ah, raça humana! Ah, homem!
Tão grande de variações absolutas no ao longo de. Tão mínimo de autonomia no afinal de contas. Tão mínimo de ti...
Mas o que é que eu quero?
Sei lá, quero lá saber...
Aqui,
sozinho em casa
de novo.
Esta música,
fronteira.
Sem mim,
textos de alfândega
sozinha.
O sorriso
dócil
do tempo,
as carícias
do presente.
As palavras que ficam
sem mim
e sem significado,
sob um tecto.
O significado delas
já se soube qual é,
e não o é,
e não só por isso.
O antigamente
também já não é
o antigamente.
Nem tédio, nem certezas,
nem o grave cansaço.
Só um leve cansaço sozinho.
O tecto sobrepõe-se
ao presente,
nem dócil nem carrancudo.
Só cansado,
mas quando nos cai em cima,
não passa de um tecto leve.
A antiga vontade
é uma casa,
e as dores antigas
já nem antigas são
quando a vontade já só o é.
Neste condomínio citadino,
alguns tremores de terra
colectam a renda.
Mas o tecto são fendas
ao de leve,
sem cansaço.
Os outros habitantes
são as máscaras
da minha imaginação à janela.
A falta de imaginação
sopra ao de leve
na divisão espelhada da consciência,
onde acontece um sofá.
Tudo isto à parte
não sei,
não sei.
Talvez
o soubera.
Provavelmente.
Não sei.
sozinho em casa
de novo.
Esta música,
fronteira.
Sem mim,
textos de alfândega
sozinha.
O sorriso
dócil
do tempo,
as carícias
do presente.
As palavras que ficam
sem mim
e sem significado,
sob um tecto.
O significado delas
já se soube qual é,
e não o é,
e não só por isso.
O antigamente
também já não é
o antigamente.
Nem tédio, nem certezas,
nem o grave cansaço.
Só um leve cansaço sozinho.
O tecto sobrepõe-se
ao presente,
nem dócil nem carrancudo.
Só cansado,
mas quando nos cai em cima,
não passa de um tecto leve.
A antiga vontade
é uma casa,
e as dores antigas
já nem antigas são
quando a vontade já só o é.
Neste condomínio citadino,
alguns tremores de terra
colectam a renda.
Mas o tecto são fendas
ao de leve,
sem cansaço.
Os outros habitantes
são as máscaras
da minha imaginação à janela.
A falta de imaginação
sopra ao de leve
na divisão espelhada da consciência,
onde acontece um sofá.
Tudo isto à parte
não sei,
não sei.
Talvez
o soubera.
Provavelmente.
Não sei.
domingo, março 12, 2006
E então os fluidos vêm, agarrar-nos na nossa imaterialidade e, aos poucos, arrancar-nos das órbitas de um corpo-olhar, branda mas não suavemente, como quem arranca um penso dolorosamente antigo sem a força da indiferença.
Da tona desse sítio líquido vemos a contrastante cegueira imersa em realidade; escoa-se-nos a presença sobre o chão por baixo, agora feito de vertigens vagas, indissolúveis neste eclipse de mar, nesta ausência cósmica de astros.
Somos então o seu reflexo, um brilho espectral e invisível, jorrando o negro intenso do vazio, o sangue escuro da física obsoleta.
Bóiando em queda, o ofegante dos pulmões afoga-se, a mágoa sonolenta esbate-se em fundos, e o coração dispersa-se neste etéreo buraco das lógicas cerebrais e emocionais.
Só a corrente turva nos comanda, de múltiplas direcções contrapostas, e de um sentido impenetrável, meramente perturbada por esporádicos espasmos-geisers, reminiscências neuróticas da lei da gravidade.
Nesta toca de compostos sem química, o mundo não cabe e, como ele, o tédio ou a pessoa são concretismos do lado de lá de uma varanda de alma sob a qual desce um baço abstracto, o vidro embaciado de nulidade pela respiração do indefinível.
Da tona desse sítio líquido vemos a contrastante cegueira imersa em realidade; escoa-se-nos a presença sobre o chão por baixo, agora feito de vertigens vagas, indissolúveis neste eclipse de mar, nesta ausência cósmica de astros.
Somos então o seu reflexo, um brilho espectral e invisível, jorrando o negro intenso do vazio, o sangue escuro da física obsoleta.
Bóiando em queda, o ofegante dos pulmões afoga-se, a mágoa sonolenta esbate-se em fundos, e o coração dispersa-se neste etéreo buraco das lógicas cerebrais e emocionais.
Só a corrente turva nos comanda, de múltiplas direcções contrapostas, e de um sentido impenetrável, meramente perturbada por esporádicos espasmos-geisers, reminiscências neuróticas da lei da gravidade.
Nesta toca de compostos sem química, o mundo não cabe e, como ele, o tédio ou a pessoa são concretismos do lado de lá de uma varanda de alma sob a qual desce um baço abstracto, o vidro embaciado de nulidade pela respiração do indefinível.
quarta-feira, março 08, 2006
De domingo (madrugada):
1. Estou debaixo da minha manta de cores mornas.
2. Tento que a minha manta se me agarre aos pés, pelo chão friorento.
3. Tento-me agarrar ao teclado e ser a manta em seu torno, mas não consigo assentar os pés.
4. Finco-me, hirto como os meus pés frios, e debruço-me sobre a luz do monitor.
5. Envolvo o teclado de noite, enquanto procuro as teclas para me aquecer.
6. Os meus pés tremem, friorentos pelo chão.
7. Em espiral de inércia, contorno o teclado enquanto o monitor arrefece.
8. Ironizo-me manta de inércia sem teclado.
9. Faço tenções de me ironizar no teclado, cobrindo assim a noite irónica.
10. Ironizo-me repórter, face a um monitor que emite frio, de tão parado.
11. Os meus pés fincam-se num chão não envolto em manta.
12. Arrefeço de fora para dentro, coberto de um teclado, e sou o reflexo de um monitor.
13. Envolvo a manta com a minha inquietude de teclas por premir no escuro.
14. Quase adormeço no calor da manta estática.
15. Quase que sonhando, recordo-me de mim, morna manta de tão frio.
16. Cozinho a escrita em lume brando com uma manta de objectividade.
17. Quase que desperto, escrevo a comunicação no teclado da cozinha.
18. Monitorizo a lanterna com que ilumino as teclas, atento.
19. O monitor nocturno fita-me desafiante.
20. O frio dos pés recorda-me também de mim, arrefecendo a manta de sonho pontas de dedos acima.
21. Observo a escuridão da manta de propósitos, e o monitor fita-me desafiante.
22. O brilho da lanterna fraca e intermitente recorda-me de mim, e as teclas primem-me um desabafo.
23. Ilumino, fraco e intermitente, o monitor frio.
24. Tremo de clareza nocturna face ao brilho das teclas.
25. Escureço o monitor enquanto sou uma luz de teclado, quase real.
26. A manta virtual embrulha-me os pés no chão real.
27. Presenteio-me com a visão enquanto me esqueço de um monitor de luz real.
28. Vejo através de mantas do passado.
29. O frio dos meus dedos visionários recorda-me de mim, e a minha manta de luz escurece-se.
30. Choro as minhas quantidades, fragmentadas sob uma manta de desinteresse solitário.
31. As minhas lágrimas são, na verdade, as teclas vãs e a cor baça da minha manta.
32. Choro o chôro, o verdadeiro, esmagado por debaixo de uns pés gelados.
33. Compilo-me, quase envolto em lágrimas frias, numa manta de numeração insuficiente.
34. Recolho o teclado, desligo o monitor e apago-me na noite.
1. Estou debaixo da minha manta de cores mornas.
2. Tento que a minha manta se me agarre aos pés, pelo chão friorento.
3. Tento-me agarrar ao teclado e ser a manta em seu torno, mas não consigo assentar os pés.
4. Finco-me, hirto como os meus pés frios, e debruço-me sobre a luz do monitor.
5. Envolvo o teclado de noite, enquanto procuro as teclas para me aquecer.
6. Os meus pés tremem, friorentos pelo chão.
7. Em espiral de inércia, contorno o teclado enquanto o monitor arrefece.
8. Ironizo-me manta de inércia sem teclado.
9. Faço tenções de me ironizar no teclado, cobrindo assim a noite irónica.
10. Ironizo-me repórter, face a um monitor que emite frio, de tão parado.
11. Os meus pés fincam-se num chão não envolto em manta.
12. Arrefeço de fora para dentro, coberto de um teclado, e sou o reflexo de um monitor.
13. Envolvo a manta com a minha inquietude de teclas por premir no escuro.
14. Quase adormeço no calor da manta estática.
15. Quase que sonhando, recordo-me de mim, morna manta de tão frio.
16. Cozinho a escrita em lume brando com uma manta de objectividade.
17. Quase que desperto, escrevo a comunicação no teclado da cozinha.
18. Monitorizo a lanterna com que ilumino as teclas, atento.
19. O monitor nocturno fita-me desafiante.
20. O frio dos pés recorda-me também de mim, arrefecendo a manta de sonho pontas de dedos acima.
21. Observo a escuridão da manta de propósitos, e o monitor fita-me desafiante.
22. O brilho da lanterna fraca e intermitente recorda-me de mim, e as teclas primem-me um desabafo.
23. Ilumino, fraco e intermitente, o monitor frio.
24. Tremo de clareza nocturna face ao brilho das teclas.
25. Escureço o monitor enquanto sou uma luz de teclado, quase real.
26. A manta virtual embrulha-me os pés no chão real.
27. Presenteio-me com a visão enquanto me esqueço de um monitor de luz real.
28. Vejo através de mantas do passado.
29. O frio dos meus dedos visionários recorda-me de mim, e a minha manta de luz escurece-se.
30. Choro as minhas quantidades, fragmentadas sob uma manta de desinteresse solitário.
31. As minhas lágrimas são, na verdade, as teclas vãs e a cor baça da minha manta.
32. Choro o chôro, o verdadeiro, esmagado por debaixo de uns pés gelados.
33. Compilo-me, quase envolto em lágrimas frias, numa manta de numeração insuficiente.
34. Recolho o teclado, desligo o monitor e apago-me na noite.
domingo, março 05, 2006
Paris de outrora...
Tuas belas cidades desmoronadas por pincéis prontamente belos, redentoramente belos. Teus contrapontos citadinos de êxtase indiscreto. Fizeste-te arte, e o desespero desorientado de cada único habitante em côr, a acesa fogueira do papel de seus diários. Em gritos-chispas foste a salvação e a perdição, incensos de atracção, chamariz do alastrar incontrolável. Fervilhando por toda a extensão cósmica desse país universal, amálgama de geografias com braços que se afogavam sobrehumanos, em lagos de chamas divinas e expectantes.
Foste a fornalha gigante da verdade, deste-nos a imagem garrida e indiscreta da expressão, e sublimaste-te a flor que se descarna das pétalas, em excessos, e atravessa os campos da mais abstracta realidade, já una e murcha em sua haste-dispersão, em vôos extensamente tu aos destroços, réstias de esquissos supra-pinturas, polinizando uniformidades de requinte consumado, requintadamente uniformes, quaisquer particularidades que desde então representaste.
Infiltrada por teu redor-tu, fizeste-o os resultados ampla e invariavelmente únicos e equivalentes, nos moldes mais livremente maduros e mágicamente sábios em que te foste experimentando barro, plasticina, plástica, vária, total, nula.
Fruto das raízes que tu, solo etéreo afora, plantaste milhentas, em fulgores-novidades-sementes, ostentas a tua queda com a indiferença de quem viveu séculos, e abordas a lei gravidade secular atravessando mais que todas as altitudes e climas, em rasgos levianamente delas embebidos, fatídicos e supremos de conhecimento.
És os traços subtis e avassaladores que a tua Dualidade gerou em ti, Coisas afora e História adentro.
...memorial-Paris de hoje.
Tuas belas cidades desmoronadas por pincéis prontamente belos, redentoramente belos. Teus contrapontos citadinos de êxtase indiscreto. Fizeste-te arte, e o desespero desorientado de cada único habitante em côr, a acesa fogueira do papel de seus diários. Em gritos-chispas foste a salvação e a perdição, incensos de atracção, chamariz do alastrar incontrolável. Fervilhando por toda a extensão cósmica desse país universal, amálgama de geografias com braços que se afogavam sobrehumanos, em lagos de chamas divinas e expectantes.
Foste a fornalha gigante da verdade, deste-nos a imagem garrida e indiscreta da expressão, e sublimaste-te a flor que se descarna das pétalas, em excessos, e atravessa os campos da mais abstracta realidade, já una e murcha em sua haste-dispersão, em vôos extensamente tu aos destroços, réstias de esquissos supra-pinturas, polinizando uniformidades de requinte consumado, requintadamente uniformes, quaisquer particularidades que desde então representaste.
Infiltrada por teu redor-tu, fizeste-o os resultados ampla e invariavelmente únicos e equivalentes, nos moldes mais livremente maduros e mágicamente sábios em que te foste experimentando barro, plasticina, plástica, vária, total, nula.
Fruto das raízes que tu, solo etéreo afora, plantaste milhentas, em fulgores-novidades-sementes, ostentas a tua queda com a indiferença de quem viveu séculos, e abordas a lei gravidade secular atravessando mais que todas as altitudes e climas, em rasgos levianamente delas embebidos, fatídicos e supremos de conhecimento.
És os traços subtis e avassaladores que a tua Dualidade gerou em ti, Coisas afora e História adentro.
...memorial-Paris de hoje.
quinta-feira, março 02, 2006
Dois reversos de medalha,
uma mesma idiossincracia.
Aborígenes em estepes desérticas
reerguem-se de comunidade,
vivem na paz do desejo adorador
de uma mente-amor.
São povos multifacetados e estéticas
de faceta impossível e ausente,
primária de aspecto,
complexa no sentimento insurrecto.
As planícies, de novo gente,
premeiam-se de novo gente.
Vamos viver o zénite.
Sim. Vamos zénite.
Escada zénite.
Só zénite.
Zénite.
Zzzz
É esta a essência da falta de filosofia.
Os pulmões de uma arte afogada.
O amor global, não carnal,
em espinhos de zénite.
Deuses e rosas,
deixem passar.
Zénite.
uma mesma idiossincracia.
Aborígenes em estepes desérticas
reerguem-se de comunidade,
vivem na paz do desejo adorador
de uma mente-amor.
São povos multifacetados e estéticas
de faceta impossível e ausente,
primária de aspecto,
complexa no sentimento insurrecto.
As planícies, de novo gente,
premeiam-se de novo gente.
Vamos viver o zénite.
Sim. Vamos zénite.
Escada zénite.
Só zénite.
Zénite.
Zzzz
É esta a essência da falta de filosofia.
Os pulmões de uma arte afogada.
O amor global, não carnal,
em espinhos de zénite.
Deuses e rosas,
deixem passar.
Zénite.
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